Atividades do Mês - DEZEMBRO

18 - ENTREGA DOS LIVROS E ULTIMA RODA DE CONVERSA DE 2010

Quem Somos

Projeto agentes de Leitura de Itapiúna é uma extensão do Projeto Agentes de Leitura do Ceará, uma ação da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (SECULT-CE), articulado ao Plano Estadual do Livro e da Leitura, focando o direito á leitura, como instrumento de inclusão social e cidadania.

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ISMÁLIA












Ismália

Alphonsus de Guimaraens





Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


Poesia

LIVROS VELHOS

Sabe aqueles livros que ninguém ler?

Um dia eu abri um e folheei

Não gostei do que encontrei

Sabe aqueles livros da parte de baixo da estante?

Pois é, são os únicos que hoje leio.

No de capa vermelha eu vi algo que não acreditava.

O da capa azul eu só pegava quando estava triste.

Mas os que eu mais lia eram os verdes e os de muitas cores.

Pouco me importava o pó.

Pouco me importava está só.

Mas aí eu percebia que o dia ia passando

E a minha vida foi se transformando.

Sabe aqueles livros que ninguém ler?

Pois é, hoje eu os leio.

Hoje eu os limpo.

Eu os cuido.

Eu os mimo.

Não empresto meus livros velhos.

Tem gente que não toma cuidado.

Tem deles que é até desorganizado.

Sempre tem um mal humorado,

Que teima em deixá-los de lado.

Não.

Por essa razão não empresto.

Ontem espirrei quando toquei no Mar Morto

Sal sempre me faz espirrar.

Ontem conheci um padre criminoso.

Pobre Amélia,

Eu bem sabia, ele faria como fez com Os Maias.

Faz tempo que não vivo neste mundo.

Vivo no mundo do pó.

Das casas de aranhas.

Das traças.

Do maravilhoso e alucinante cheiro de mofo.

Sabe aqueles livros que ninguém ler?

Sabe porque ninguém os ler?

Porque fedem a mofo.

E eu adoro cheiro de mofo.



Cosme Alves

CULTURA: POESIA

SONETO TORTO DA SAUDADE

Lembro-me com grande pesar, os sonhos d´ouros que tinha
As vezes com muitas bolas, outros com bastante meninas
Super-homem sempre esteve, preso em uma lembrança minha
E hoje já nem me lembro com estas minhas muitas sinas

Lembro-me do “cai-no-poço” e tu dizes “água onde?”
Hoje já nem resta nem o mais fraco dos esboços
Do ‘pega-pega”, “lagarta pintada” ou ‘esconde-esconde”
Foi-se o pegar-lagartas-escondidas-em-muitos-poços

No meu tempo eu via muitas raias feitas de sacolas
O namoro com a prima não passava das nossas mãos
A vida, mesmo sem recreios, ainda é uma escola

O cachorro já não acompanha com a baladeira
Atrás de rolinhas pelos campos do sertão
A saudade me mata, vil e sem brincadeira.

Cosme Alves
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